sexta-feira, 21 de agosto de 2009
Um dia acorda-se em um lugar, sem rumo, sem procedência e em meio a um teatro. Os pensamentos são pressionados, o amor incompreendido e inexistente é usado como pretexto para justificar tudo que não tem motivo, uma contradição que gera morte e sofrimento de muitos que também acordaram em um lugar que só é um lugar por acharem que é, podendo ser imaginário, um jogo, uma circunstância criada pelos viventes em uma realidade superior para, por algum motivo, viver dentro da vida uma outra aleatória e confusa. É inevitável que os humanos fiquem confusos e sem rumo. Parece, mas não é tão absurda a possibilidade quando se compara com aquilo que afirmam ser a “vida real” ou com as vidas de fantasia que se vê nas vias e artérias das comunidades ou ao ligar um computador.
Sendo assombrado dia após dia por uma possibilidade que consegue aterrorizar tanto como a morte, o humano ainda tem que conviver com o fato de existir, de viver e de estar sem entender o que o aterroriza ainda mais que a própria morte ou o conceito que se tem pela mesma.
Um dia a morte chega, esta é a possibilidade que mais se aproxima de ser uma certeza para os humanos, mesmo que isto possa demorar ou não, chegar inesperadamente agora ou depois de muito tempo, o que pode ter parecido uma eternidade enquanto acontecia, depois de acontecido apresenta-se como uma efêmera circunstância de um passado temporalmente distante, mas mentalmente tão próximo e finalizado pela fantasmagórica eminência de que não se tem certeza de nada, nem mesmo da vida e, conseqüentemente, da morte.
Sem a morte não haveria tantos medos nem tanta sede de viver por viver, que é na verdade o desejo de acabar com tudo de uma vez por todas para se ver livre de tudo isto enquanto antagoniza instintivamente sonhando com uma vida que dure muito. A contradição é reflexo de todas as contradições que compõem a vida de um ser que entende algumas coisas e assume uma capacidade egocêntrica de poder fazer quaisquer coisas para provar a alguém ou alguma coisa dentro daquela realidade fantástica, mas tão teatral quanto sua própria personalidade. Contudo, sem a vida nada, nem os medos, seriam possíveis, ademais, nada seria pela falta da arbitrariedade típica da consciência superficial e que existe através da vida de quem a tem.
Somando tudo que compõem vida e morte, uma completa a outra dentro das possibilidades oferecidas, pois nada melhor que algo inexplicável para completar aquilo que há de mais inexplicável.
Sem motivos, mas com o ego estourando, o antropocentrismo exala morte e crueldade, ou seja: os humanos além de pavões mentirosos dignos de piada, matam e destroem inocentes para garantir a sua vida.
Vive-se saindo do nada esperando chegar a lugar algum com os “sonhos” sustentados pelas quimeras capitalistas e religiosas, causando males e auto-destruição, além de auto-desperdício e auto-flagelo.
Não se vive, se morre todos os dias pela inutilidade de cada um.
Um recado superficial aos humanos de consciência superficial.
J.C.


















0 comentários:
Postar um comentário