segunda-feira, 13 de julho de 2009
Apenas comentário:
Todos os dias minha retina capta a demonstração de comoção, de luto e reflexão que a morte de uma criança que caiu da sacada de um prédio, ou das que morreram de fome ou pelas atrocidades da guerra causam. Todos os dias fico perplexo, não mais com os fatos, mas com estas conseqüências que demonstram que a maioria dos humanos podem ser classificados em duas simples categorias: os egoístas e os incoerentes. Estou farto desta perplexidade, farto do luto causado pela morte de jovens que morrem bêbados com o carro dos pais ao baterem num poste ou em inocentes, dos inocentes, dos pobres coitados que sofrem com as balas perdidas ou das criancinhas que são mortas por estupradores, pais negligentes ou o que mais for. Farto! Farto de hipocrisia, de ignorância, do condicionamento e da limitação que me rodeia. Neste instante pessoas estão morrendo injustamente depois de sofrer horrores em uma vida que provavelmente não pediram para ter. – E daí? – Pergunto eu. – Por que eu deveria me comover pela morte de um ser humano? O ser mais devastador de todos os que vivem no planeta.
Todos os dias milhares de outros animais morrem. Muitos morrem por estarem nas cidades e sem comida ou de frio em suas gélidas calçadas. Lembremos que as cidades são criações dos humanos e que forçam todos os outros seres habitantes do planeta a se adaptar à ela ou se espremer nas poucas áreas ainda não manipuladas descontroladamente por eles. Isto quando não são capturados ou nascem presos para que sirvam como objeto de adorno, como escravo ou até mesmo como alimento deles.
Está muito correto sob a ótica humana se importar tanto com a morte injusta de um ser de sua espécie, mas nem lembram que a morte de outra está em seus pratos, na ponta de seus garfos, entre os molares e dentro de seus estômago. Agora, e por mais uns dois minutos, também estará na consciência de quem lê estas palavras. Fiquem tranqüilos, logo passa. É típico dos humanos estas comoções momentâneas. Os próprios humanos se comovem com a morte de seus ‘primos’ mas não fazem nada pra mudar isto. São ao mesmo tempo causadores e reféns de seu sofrimento e do sofrimento alheio que não lhes é relevante por acreditarem ser superiores aos que me refiro.
Sempre que vejo os noticiários feitos para os humanos suprirem seus egos eu pergunto: “Certo, morreram trinta na Faixa de Gaza hoje, dois assassinos foram presos... mas quantos bois foram mortos só na minha cidade pelos humanos e ninguém será punido? Quantos animais ainda vão morrer e nada vai mudar?”
Não há quase ninguém interessado neles, assim como também não estou nenhum pouco interessado na morte de centenas de humanos em uma queda de avião. Talvez tenha sido bom. Existe muito humano atrapalhando a vida de inocentes.
A república, inicialmente formulada por Platão, não dá espaços para os outros habitantes do planeta, demonstrando todo egocentrismo dos humanos e SE demonstrando uma teoria completamente impraticável em termos de igualdade. Nisto podemos somar uma centena de outros exemplos de diferentes ordens.
Estou farto desta hipocrisia!
Proponho luto. Luto pela morte de seres livres em essência devido ao egoísmo dos racionais e inteligentes seres humanos e pela inexistência da razão que eu supunha existir.
“Ninguém vai se comover pela dor de alguém que não agüenta mais viver por viver.”
J.C.


















2 comentários:
Gostei de seu texto, pq ele aborda com irreverência um assunto banalizado, q é a comoção geral por mortes humanas q a imprensa se empenha a torná-las sensacionalistas.
obrigada pela visita ao máquina lírica. também gostei da sensibilidade que encontrei por aqui... abraço!
Postar um comentário