sábado, 20 de junho de 2009
Fora necessário alguns dias para minha reabilitação depois da dolorosa enxurrada de hipocrisia demandada pelos reflexos de uma sociedade incoerente, sem fundamentação e, acima de tudo, hipócrita. Ao perceber a onda, mergulhei em seu interior para descobrir o quê havia no fundo.
“Os ares da felicidade envoltos pela nebulosidade da hipocrisia demonstraram-se como reflexo da concepção de vida”.
Translações e abraços nunca tiveram tanta ligação. Sempre ocorreu, sempre fora perceptível uma demonstração de afeto inexistente ou esquecido numa data específica. Desta vez deixei-me presenciar como jamais havia feito.
Uma típica demonstração da ação empírica pela busca da compreensão.
Parte 2 - Aniversário:
A soma de translações é uma forma humana de se localizar na sua história através do tempo que passou existindo neste planeta. A história, entretanto, é relativa à perspectiva ou parâmetro utilizado, podendo ser, por exemplo, de uma vida humana específica ou da humanidade como um todo, além de outras coisas existentes, porém, sempre baseada na perspectiva humana. A translação, por sua vez, é apenas uma volta elíptica da Terra em relação à estrela Sol, algo que ninguém sabe exatamente quando começou. Um evento que ocorreu bilhões de vezes, mas que só foram contadas as últimas míseras dois mil e nove.
O tempo, portanto, não é nada além de uma concepção humana de sua vida inserida a todo custo em um sistema social que hoje tende a dominar todos os seres existentes no planeta através do egoísmo e da soberba, que é completamente voltada aos humanos, tornando-os, em mais um caso, dependentes, oprimidos e escravizados por sua criação.
A complexidade do tema perturba pela possibilidade que cada ponto que o compõem proporciona para que se incline veementemente a uma observação aprofundada sobre ele, demonstrando que a sociedade e, conseqüentemente, a vida das pessoas está baseada em um emaranhado de mentiras, incoerência, leviandade e hipocrisia deliberada.
Aprofundaremos um pouco então:
Onde estão os motivos para a vida?
Não se tem nada de concreto, temos que achá-los ou entender que não há motivos e a vida é apenas uma mera coincidência motivada pelas circunstâncias. Tudo o que temos são possibilidades.
Não havendo motivos para a vida, por quê ser parabenizado pelo ato de se estar vivendo por mais um ano? Qual o mérito do ser? A menos que seja de resistir e suportar por mais tempo uma vida de mentira e sem sentido numa sociedade criada e governada por outros, fazer de sua vida uma figuração inútil em uma trama de sofrimento e felicidade que eufêmica a superioridade da dor pela falta de respostas, com fim pré-estabelecido e início obscuro. É... talvez realmente o ser mereça parabéns, mas por ser um ator tão bom para com sua própria consciência ao ponto de enganá-la e fazê-la submeter-se a isto.
Além disto, o símbolo da hipocrisia no sistema social aparece novamente embalado e envolto por infrutíferos desejos de felicidade. Os presentes, formas de demonstração material do bem, do ‘amor’, do afeto... do “corrompmento” do ser que se diz sublime àquilo que criou para solucionar todos os problemas, preencher todos os vazios, saciar todas as vontades infantis de pessoas cegas e, claro, fazê-lo sentir-se sublime.
Depois que se nasce, eminentemente rotações acontecerão, depois translações e etc. Onde os presentes se encaixam? Em uma celebração inútil pela perpetuação de vidas infrutíferas? Creio que sim, tende-se a valorizar distrações pela ignorância, pois duvido que alguém valorizaria a vida caso fosse descoberto que a morte é fatidicamente melhor. Não sabemos o quê é melhor, não sabemos sequer se a vida é realmente boa ou se mentimos para nós mesmos a todo instante. Como pode-se, então, crer cegamente nisto?
Além disto, mesmo supondo que as datas criadas pelos humanos possam ter algum significado importante, como levar a sério declarações seguidas de abraços ou apertos-de-mão vindos de pessoas que nem mesmo sabia se ainda existia o ser parabenizado até o dia anterior ao de o plante completar mais uma rotação depois de ele nascer?
Em minha opinião as celebrações de aniversários são uma das maiores demonstrações de hipocrisia social da humanidade, além de demonstração de ignorância, eufemismo e incoerência.
Quem que leu não faz?
J.C.

















1 comentários:
Pilaróide, a vida pode não ser boa do jeito que é levada, os humanos podem ser algo ruim por sua natureza e sua falta de iniciativa para pensar. E pode ser egoísta pensar assim, mas que bom que você ainda exista e continua escrevendo. Se não houvessem as tuas duras translações, as minhas seriam mais.
Quanto a vida, se há motivos para comemorar ou não, o importante, creio que seja o fato de apesar de tudo, ainda se ter uma chance de entender, mudar, justificar, fazer valer. Quem sabe ainda tenhamos a oportunidade de abrir nossa própria gaiola... Será que o real motivo para estar aqui, é encontrar um motivo para estar? Se há uma possibilidade, mesmo que mínima, de entender o que e por que acredito que é essa que devemos procurar. Nós todos andaremos a longa estrada, então, façamos isso com a esperança de encontrar uma razão plausível para fundamentar nossa existência.
Os outros, e os seus lugares, suas ações, seus dias e dias de hipocrisia, são a consequência do grande teatro mascarado, da cegueira conveniente que preferem sustentar no lugar da busca filosófica pela verdade.
..." Eles querem te vender, eles querem te comprar, querem te matar (de rir), querem te fazer chorar. Quem são eles? Quem eles pensam que são? ... Querem te matar (a sede), eles querer te sedar. Vender, comprar, vendar os olhos. Jogar a rede... contra a parede. Querem te deixar com sede, não querem te deixar pensar. Quem são eles? Quem eles pensam que são? "
O teu texto está ótimo!
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