Comer

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Humanês/Português


“A volta do dicionário do Humanês.”


Comer:

Português: Ingerir; alimentar; engolir.

Humanês: Penetrar pênis em vagina; receber e, teoricamente, proporcionar prazer sexual; transar. Obs.: Termo estritamente masculino.


Comparações:

Frase em humanês:

“Cara, consegui! Comi aquele corpo ontem à noite. Ela é muito gostosa!”

Tradução óbvia e literal para o português:

“Face(?), consegui! Ingeri aquele ser do sexo feminino. Era extremamente suculento.”

Tradução humanês/português:

“Meu caro amigo, enfim penetrei meu pênis na vagina daquela moça. Foram várias penetrações, na verdade. Ela tem um nível altíssimo na escala estética que é baseada em meus conceitos.”


Fazendo a analogia óbvia, podemos observar as semelhanças entres os termos em ambas as linguagens, pois a prática designa-se à necessidade de saciar uma necessidade fisiológica e, se possível, receber algum prazer. O prazer, por sua vez, é uma situação de bem estar, agrado, divertimento, alegria, satisfação, onde o ser atinge uma suposta plenitude da sua felicidade ou se aproxima significativamente da mesma, justificando todos os esforços necessários para fazê-lo, inclusive equações desproporcionais que, se analisadas racionalmente, comprovariam a desproporcionalidade do custo em relação ao benefício do ato de ser feliz.

Comer, tanto no Português, como no Humanês, é uma necessidade. Ambas são tratadas como a coisa mais importante que existe no momento em que aquilo se torna uma vontade, passando automaticamente a ser uma necessidade. Isto é perceptível em alguns tipos de obesidade causadas pelo descontrole do ser em relação aos alimentos, seu sabor e sua função de gerar energia ou revigorá-lo. Muitas vezes estes deixam de ser o motivo pelo qual se come, pois, com o tempo, há uma mudança gradativa nestes seres. Eles passam a comer apenas por comer, saciando assim outras necessidades que agora são psicológicas e quase sempre ligadas ao seu emocional. Em ambas as situações, os seres são escravos de sua necessidade de prazer.

Mais algumas comparações podem ser feitas com êxito quando se critica tal nomenclatura às situações sexuais. Dentre elas, pode-se pensar que uma palavra relacionada à alimentação pode ser usada para sexo, por que não se pode usar o sexo para exemplificar alimentação? Um jantar em grupo, por exemplo, onde uma dezena, ou mais, de pessoas se reúnem para saciar uma de suas necessidades fisiológicas mais freqüentes: a fome, serve bem: Da mesma forma, grupos de pessoas se reúnem para transar e saciar outra necessidade muito freqüente, e em questão, a sexual. Em ambas, comer e ser comido(a) é o objetivo máximo em nome de forças maiores presentes em ambas; fome e prazer para um(a) e prazer e vontade para a outro(a). Estes jantares são, portanto, orgias gastronômicas que sempre terminam com vontade de nunca mais comer na vida, mas sabe-se que tal vontade logo passará e será substituída pela vontade de repetir a orgia.

Alimentar-se ou saciar sua fome em estabelecimentos comerciais que proporcionam isto, porém respeitando a amplitude financeira de cada um, sendo, portando, uma situação baseada em uma espécie de proporção: imagine o mesmo quanto ao sexo e a beleza. Um ser, provido de maior ou menor beleza física (segundo um conceito próprio, criado ou imposto), tende a se relacionar com seres com a mesma situação, podendo ocorrer o contrário, mas, seguindo pela tendência natural dos humanos, feios com feios, belos com belos... É muito intrigante pensar numa situação entre dois seres distintos que ocupam uma posição igualmente distinta na hierarquia socioeconômica em relação a dois seres distintos que ocupam posições igualmente distintas na hierarquia estética da sociedade. Enquanto a qualidade, a variedade e a elaboração dos alimentos do restaurante freqüentado pelo ser em um nível mais elevado da escala sócio-econômica é proporcionalmente maior que a do ser em situação inferior na mesma, o ser em um grau mais elevado da escala estética tenderá a se relacionar com seres igualmente evoluídos na mesma e o ser em situação contrária tenderá a relacionar-se com um ser em uma situação igualmente contrária, constituindo, portanto, uma escala de “felicidade-possível” que nivelada por fatores externos. Assim como ninguém escolhe nascer rico ou pobre, ser feio ou belo não é nenhum mérito, é uma casualidade. Apesar disto, a sociedade humana, tão racional, tão evoluída, que constroem carros, bombas e falam que irão comer outras pessoas como se fossem objetos de cobiça e estes seres cobiçados, que também fazem parte de tal sociedade evoluída, agradam-se com o fato, vivem uma mentira, uma demonstração prática de sua incapacidade de ser tudo o que pensar ser ao definir níveis de importância existencial baseando-se em uma nivelação hipócrita que é imposta pelos próprios exemplos de felicidade de tal sociedade.

Aos humanos, a frustração por valorizar uma imagem que acaba gerando desconforto e frustração (Sim, frustração gera mais frustração. Frustração por se estar frustrado.) torna suas vidas tristes e eufêmicas. Para isto os humanos conhecem só um remédio: comer.


Comparação óbvia:

*Restaurante = Bordel, puteiro, maloca...

Jantares = Orgias, surubas, ménage...


Tópicos opinativos:

· A saciedade das necessidades tipicamente humanas e, conseqüentemente, primitivas, demonstra a primitividade humana.

· Comer” é um termo nojento, que demonstra toda a soberba masculina sobre as mulheres. Esta soberba é proveniente de toda uma história de sobreposição de um segmento da espécie perante o outro e submissão da sobreposta perante a que se sobrepõem pela soberba. Ambos, claro, devido à ausência daquela tal racionalidade.


J.C.

3 comentários:

Carolina Bataier disse...

Começou divertidíssimo e terminou mto bom. Eu tbm acho ridícula e desnecessária essa aplicação da palavra "comer".

E sim, vamos fazer o livro de teorias malucas!haha

Carolina Bataier disse...

Ah! E como é q vc colocou esse contador bonitinho q mostra a cidade de origem dos acessos?? Adorei!

Simplesmente Outono disse...

Gostei!
Gostei muito!
Gostei demais!
Gostei tanto que será inevitável não voltar. Por que perder de vista algo tão gostoso de ser lido? Ficamos combinados assim: volto sempre que puder para continuar lendo-te.
Folhas secas pelo teu chão.
Eu, Simplesmente Outono.

"A opinião dos demais em relação a mim não é pior que a minha opinião em relação aos demais."

.Contato:

.pilardojefferson@gmail.com
 
Templates para novo blogger