A Prostituição Assexuada

sexta-feira, 1 de maio de 2009


Hoje é dia de se comemorar a inexistência, de se saudar a grandiosidade daqueles que apenas mantém seus corpos em funcionamento em busca de bens materiais que lhes servirão como nivelação hierárquica em uma sociedade de mentira e da possibilidade de permanecer existindo. É o dia de sentir a sensação de se alcançar a plenitude do ser humano, de sentir a sensação de ser um ser-humano digno em um conceito infundado. É dia de rir por jogar trinta mil horas de sua vida fora.

· Parabéns aos fúteis e aos ignorantes que vivem suas vidas por viver.

· Parabéns a todos que buscam a plenitude da existência naquilo que tem e naquilo que podem mostrar ter.

· Parabéns a todos que pensam ser impotentes por serem um só, não acreditarem em sua própria capacidade e disfarçarem através destes conceitos auto-enganosos a preguiça que têm de pensar e de mudar.

· Parabéns aos humanos que destroem sua morada para sustentar algo inanimado e criado por eles que hoje os domina.

· Parabéns aos humanos por terem uma racionalidade guardada na gaveta por medo de gastá-la.

· Parabéns aos condicionados masoquistas que não sabem por que sofrem e gostam de sofrer sem motivos suficientes para permanecer fazendo algo que nem sabem por que devem fazer (viver).

· Parabéns a todos os que negam seu sofrimento com eufemismos. Parabéns aos humanos que fazem outros humanos sofrer como eles dentro de uma ignorância necessária, contraditória e aparentemente egoísta (caso seja, a contradição será ainda maior).

· Parabéns àqueles que afirmam que jogar a vida pela janela os dignifica, pois não há forma melhor de mentir pra si mesmo do que acreditar numa ilusão eufêmica com o objetivo de fechar os olhos para a verdade que tanto os machuca.

· Parabéns àqueles que têm a audácia de transferir a sua vida desperdiçada às vontades de um deus que supõem existir.

· Parabéns a todos os humanos que se prostituem assexuadamente todos os dias, dando seu tempo, seu corpo e suas vidas para continuar fazendo isto no outro dia.

· Parabéns aos humanos que trocam cinco dias por dois e acham que é justo.

· Parabéns aos humanos que usam os dois dias que trocaram por cinco para descansar e se torturar por ter que voltar para a prostituição assexuada no outro e por jogarem o pouco que lhes resta destes cinco nas novelas e em filmes pouco produtivos.


Parabéns a todos os submissos que negam a sua existência para, contraditoriamente, exercer a perpetuação dela.


J.C.

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