Feliz dia da hipocrisia! – Parte1

segunda-feira, 11 de maio de 2009


Crítica feita ao dia das mães comemorado ontem no Brasil:

O dia das mães, uma data comemorada em muitos países, mesmo que em dias diferentes, com o objetivo de celebrar e agradecer a existência das precursoras e criadoras de todos que compõem a humanidade. Trata de comemorar a existência daqueles seres dóceis e frágeis que geram a vida de outros humanos, assim como ela, dentro de si. Neste dia são entregues e transmitidos os mais variados presentes, congratulações e sentimentos partindo da criatura para seu criador como forma de agradecimento e demonstração de amor. Toda a prática feminina de gerar uma vida e transformá-la em algo adepto às circunstâncias sociais, assim como a criadora da criatura que agora é criadora fez, tem seu ápice no dia do agradecimento e da retribuição. Assim como os humanos almoçam às 12 horas e dormem durante a noite (a maioria), eles também precisam de datas específicas para agradecer por existir, apesar de poder fazer isto todos os dias quando quiserem.

O ato de agradecer, por sua vez, traz consigo um presente, uma representação material do amor da criatura por sua criadora. Além de transferir a representação de um sentimento para algo manufaturado composto de matéria artificialmente organizada, os humanos nem mesmo entendem por que sentem aquilo, nem sabem definir o que é amor (e por que sentem por este ser) e sequer sabem o que é e para quê serve o presente que receberam de suas criadoras, a vida. Contudo, mesmo assim, agradecem. Como podem agradecer por algo que nem sabem pra quê serve? Além disto, os motivos pelos quais foram presenteados com ela, os motivos pelos quais foram feitos por seus pais (incluindo ambos os criadores agora) não são questionados, não fazendo sentido alguém receber um presente sem nexo, ser obrigado pelo presenteador a manter-se com ele, sofrer com ele por não entender por que está preso nele e ainda agradecer. Mais normal seria a criadora pedir desculpas por cometer uma ação que nem mesmo entende e que gerou uma vida desnecessária e inútil existencialmente.

O presente da criadora parece ter sido a própria criatura. Alguns até admitem isto, porém o fazem sem compreender o egoísmo da ação e a falta de sentido de se fazer algo apenas por fazer, para poder usufruir por certo tempo de sua graciosidade infantil ou até mesmo transmitir seus valores e conhecimentos limitados e inúteis por serem superficiais supondo que eles servirão para alguma coisa.

As criaturas vivem uma vida sem motivos feita por pessoas que não a entendem e mesmo assim quiseram perpetuá-la, além disso demonstram isto de forma materialista, compondo então uma equivalência de hipocrisias: Um ser proporciona algo devido à sua ignorância e hipocrisia existencial e outro simboliza o agradecimento por sua eufêmica satisfação por ter o presente através de bens materiais que não servem para nada, existencialmente falando, assim como os motivos dados por seus pais para terem feito o ser que, por não ter respostas, tornou-se inútil. O termo inútil é adjetivo indigesto, o que faz culminar na hipocrisia do presente de agradecimento.

Mesmo dentro de um ritual burocrático os humanos ainda conseguem ser felizes e gratos por suas vidas.

Parabéns? Parabenizar quem e por quê? As mulheres que instintivamente e irracionalmente justificam suas existências para gerar vidas inúteis e sem motivos merecem parabéns? Racionalmente talvez mereçam os pêsames.

Enquanto isto os humanos agradecem às suas mães por tê-los dado o maior de todos os castigos, viver.

J.C.

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