Holocausto

quarta-feira, 29 de abril de 2009



“Com calma todos os habitantes da terra devem entrar em pânico, comprar mantimentos, máscaras cirúrgicas e se esconder debaixo da cama.”


É neste nível que se encontra a contradição existente na ação dos humanos em relação à vida. O holocausto criado por eles pode gerar o seu fim. Vejamos:


Algumas coisas me chamam a atenção. A humanidade está em alerta, um alerta causado pelo egoísmo e pela incoerência. Um vírus se modificou e se ligou a outro, gerando um novo ainda mais forte e, apesar de preocupados, tudo parece normal aos olhos da humanidade que agora luta para atingir a dominação do vírus que se entende ser uma conseqüência natural da vida e que o ser humano deve burlar para atingir, um dia, a dominação plena dela.

É incrível o nível de condicionamento e ignorância da humanidade e ainda mais incrível o nível de alienação da mesma. Isto demonstra o quão maléfico é o ato tipicamente humano de se armazenar uma grande quantidade de animais, seres vivos essencialmente livres e independentes dos humanos, para o consumo deles. A possibilidade de uma catástrofe consolida a informação de que o consumo de animais para a sustentação da humanidade é uma das práticas mais maléficas em ação hoje em dia, assim como o holocausto foi no passado. Contudo, fora modificada a figura do oprimido, permanecendo o ato, que continua mesmo depois dos humanos saberem a sua conseqüência. Milhões de pessoas foram julgadas inferiores e por isto foram assassinadas impiedosamente pelo nazismo durante a segunda guerra mundial e hoje milhões de animais são assassinados impiedosamente pela humanidade pelo fato de não terem uma capacidade de manipulação do meio em que estão introduzidos tão eficaz como a capacidade dos humanos, e estes humanos matam por sua soberba. Ambas as situações se equivalem pela crueldade infundada e pelo egoísmo, pois em ambos os casos uma tendência ego-centrista prepondera. Também há as conseqüências em longo prazo, como a poluição gerada pela criação de animais para o consumo, que pode ser percebida na atmosfera, já que a população bovina da Terra praticamente se equivale a dos humanos e cada bovino exala uma quantidade enorme de flatulências compostas basicamente de metano. Somemos a isto o desmatamento para a plantação de pasto que servirá de consumo para o animal que morrerá em seguida, os curtumes que se sustentam das peles dos animais mortos e comidos pelos humanos, cujo uso de cromo no processo de curtimento polui enormemente assim como a extração do tanino através do desmatamento e outras tantas conseqüências poluentes. O pior? O pior é que não acaba por aí. Há ainda os cereais dados aos bovinos, que de tão grande aquantidade, poderia alimentar todas as nações miseráveis da Terra e ainda sobraria alimento, provocando o bom-senso de quem compreende que toneladas de cereais serão utilizadas para a “fabricação” de algumas dezenas de quilos de carne morta. E mais, estas mortes são violentas e cruéis. Os animaia que alimentam os humanos são tratados como objetos ou produtos com valor monetário. E tudo isto ocorre para que uma parcela ínfima da população mundial alimente-se da suculência da morte e possa vistir-se com a beleza da mesma. Quem não vê este Holocausto?

Toda esta antropofagia disfarçada pelo eufemismo está destruindo o planeta, a casa dos humanos, a fonte da vida como a conhecemos. Uma ação incompreensível, já que os humanos estão se auto-destruindo para contribuir com algo que foi criado por eles, a economia, e para manter seus gostos egoístas. E não parece, mas toda esta prática de auto-destruição culmina hoje na “gripe suína”. Assim como a “gripe aviária”, que alarmou o planeta por duas vezes nas últimas duas décadas, a "gripe suína" tem a origem de sua proliferação mais aceita ligada às grandes fazendas de industrialização de seres vivos para o consumo dos humanos. Mesmo que a gripe tenha uma origem anterior à prática de industrializar seres para o consumo de outros baseada em uma cadeia alimentar que não se justifica e mesmo que a origem da gripe seja milenar, o motivo pelo qual ela se tornou um perigo em potencial é o consumo destes animais, já que se isto não ocorresse os animais viveriam soltos, livres e independentes, sem a necessidade de viverem empilhados em comunidades forçadas, onde a proliferação e a mutação de um vírus têm todas as circunstâncias a seu favor. Obvio que a existência do vírus é independente da existência de fazendas ou aglomerações industrializadas, mas, assim como acontecem com os humanos, uma situação de aglomeração de grande quantidade de porcos pode tornar-se potencial proliferadora de vírus que se espalham com maior facilidade. Ademais, estive pesquisando sobre a doença da vaca louca, que teve seu primeiro surto no ano de 1986, na Inglaterra, tendo ocorrido novamente alguns anos atrás, e descobri que assim como nas gripes aviária e suína, há uma ligação direta entre o surto e o consumo da carne e seus derivados pelos seres humanos. No caso da doença da “vaca louca”, por exemplo, a doença foi uma reação do organismo das vacas após terem se alimentado com uma ração que continha uma proteína animal modificada e procedente da carne de carneiro.

O consumo da carne pode matar alguns humanos aqui, outros lá, outros mais adiante... com níveis de colesterol elevado, mas toda a humanidade caso uma gripe de origem animal, desenvolvida através de circunstâncias propicias para tal, atinja a espécie humana com o ímpeto necessário. O mais difícil de aceitar pelos humanos é a possibilidade que existe da extinção dos humanos ser uma coisa boa. Não salientarei a (des)necessariedade e questões existenciais que aprofundariam o assunto, mas questionarei o mal que os humanos fazem ao planeta e tudo que há dentro dele, sem contar o mal que os humanos são capazes de fazer para sua própria espécie, como no outro holocausto. A humanidade brinca com a vida alheia, cultiva outros seres vivos em cercados,onde a vida se resume no objetivo de morrer pela vida dos outros sem nem mesmo saberem disto ou concordarem, demonstrando que a nobre política dos humanos, mesmo a tão badalada república, é feita apenas para os humanos, e os outros seres que compartilham deste planeta não tem opinião nenhuma, pois não podem competir com a soberba e oegísmo dos humanos.

Mas, como disse no começo, existem assuntos que me chamam atenção, portanto é mais de um, porém ambos consolidam o mesmo pensamento.

Ontem recebi um e-mail de uma amiga pedindo assinaturas virtuais para um abaixo assinado em prol da defesa das focas que são mortas no Canadá e na Noruega como forma de esporte. A informação me chocou, mas de certo modo também me revoltou, não só pela com a situação dos animais, mas com a pessoa que me mandou, pois ela mantém em sua alimentação a carne. Como uma pessoa pode sentir pena dos animais e ao mesmo tempo matá-los, mesmo que indiretamente? – Foi a pergunta que me fiz. E o que dizer dos veterinários que comem animais? Meu pensamento começou a se ramificar, mas cada ramificação me trazia maior compreensão do quão incoerente é a ação dos humanos em vários contextos, pois é evidente a falta de sentido no ato de se amar os animais e comê-los.

Acho muita hipocrisia a comoção dos humanos por atrocidades não conhecidas, enquanto não há nenhuma, ou muito pouca, por aquelas que são. Não há diferença entre as focas que morrem a pauladas nos países nórdicos em relação aos touros que morrem com espadas enfiadas no dorso no trópico de câncer e às margens do mediterrâneo ou os que morrem para serem comidos. Além disto, também há a ciência, que em busca de curas para doenças humanas mata centenas de animais todos os dias com a justificativa de que vidas estão sendo salvas. Com certeza faz muito sentido que dezenas de mortes salvem uma vida, pois a vida dos humanos vale muito mais do que a dos animais, e até o deus dos ocristãos afirma isto. Se um deus que nem mesmo há provas de sua existência diz que tudo foi feito para servir aos humanos, quem sou eu para questionar este egocentrismo?

Estamos vivendo um holocausto e a mais egoísta de todas as justificativas ainda é o fato dos humanos apreciarem o sabor dos animais mortos.


J.C.

1 comentários:

Rubra disse...

A simbologia tomou lugar da essência. Eu, e outros milhões de humanos destruímos a essência, para manter uma simbologia que não faz sentido. Criada para ocupar o lugar de uma resposta não encontrada até então.
Está tudo tão coberto, tão mascarado, que é difícil saber o que é verdadeiro. Mas com certeza, matar, moldar, e destruir um planeta inteiro não é a melhor escolha. Não é, porque os outros seres que vivem aqui, não tem culpa da irracionalidade dos humanos.
E é claro, é muito mais fácil se indignar com a crueldade do vizinho, do que com a (muitas vezes pior) que acontece em nossa casa.
Mas será que isso vai mudar? Acredito que não! Pelo menos enquanto houver a expectativa de que as consequências ( maiores das que já acontecem ) só virão depois que eles já tiverem morrido. E se ja morreram, o resto do mundo que se dane.
Ainda assim, com suas frases poéticas, românticas, e contraditórias, pregam um amor de liberdade.
Chama isso de maldade? De violência ? Crueldade, dissimulação, omissão?
Eu chamo de humanos.

"A opinião dos demais em relação a mim não é pior que a minha opinião em relação aos demais."

.Contato:

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