sábado, 31 de janeiro de 2009
Apenas um breve comentário sobre as eleições e a posse de um presidente:
Que bom que acabou. É o que penso. Mas... mesmo assim, tem mais:
Há muitas coisas que me intrigam nas atitudes dos seres humanos, neste momento o que me intriga é uma acepção de todo o sistema humano a algo que também me intriga, isto é, a posse de um presidente eleito democraticamente (é o que dizem) em um sistema eleitoral baseado em hipocrisia e auto-engano. Interesso-me, na verdade, pelo fato das pessoas não terem nada para fazer. Explico: Sinceramente não aceito o motivo de ter havido tanto frenesi na posse do novo presidente estadunidense. Coberturas de rádio, de TV, em impressos, virtual e etc. para acompanhar a cerimônia de posse de um presidente que nem é do nosso país. Concordo que o objetivo destes veículos de comunicação sejam informar, contudo, penso, em primeiro lugar, que a posse e/ou sua cerimônia não tem valor político nenhum, já que é apenas um ritual de inicialização no cargo em questão (presidente dos Estados Unidos da América) e não tem importância nenhuma para a comunidade internacional justamente por se rum ritual, uma cerimônia, uma festinha que não diz nada, não emana nada, não aumenta e não diminui nada na existência de ninguém, nem mesmo dos participantes diretos (friso: falo da festa, esta é inútil, não do ato da posse nem do ato de ser presidente. Isto é outro problema). Sabemos que na maioria das culturas há um ritual para a inicialização em cargos ou funções de grande comprometimento dentro daquela sociedade, mas o único objetivo é representar o valor simbólico do cargo ou função
Analisando o mundo atual, moldado (e muito) pelo pensamento estadunidense devido à sua incrível capacidade de abrangência pela mídia, há uma contradição no ato de transmitir uma cerimônia como tal ocorrida há onze dias (20/01/2009), pois, além de ser um ritual simbólico inútil, já que todos sabem qual o objetivo de uma posse e justamente por isto ela poderia ser uma apresentação de 15 minutos, é completamente contraditória, como também é contraditória uma série de outras atividades típicas daquele povo. Contudo, as pessoas passam um dia inteiro correndo atrás de informações pré-posse, como o que comeu Barack Obama no café da manhã, ou até sobre a dança pós-posse dele com sua esposa (não mintam dizendo que tais informações são impostas pela mídia, pois,mesmo que sejam, elas só existem por que alguém as aprova, alguém as assiste e alguém as incentiva). Informações sem relevância nenhuma que não são só transmitidas dentro do país que projetou uma falsa relevância a estas informações, mas para o mundo todo. Mundo que se vislumbra com este tipo de informação inútil, ainda mais inútil no contexto de um presidente de um país, uma “potência”, e são sim dignas de uma atriz de cinema ou cantora POP (não que no caso delas a informação seja útil ou se justifique, só é mais comum [não concordo com nenhuma das duas, pois não é minha vida e por isto não me interessa.]).
Ao compreender isto supus que não proseguiria por muito mais tempo. Acordei no dia posterior a posse imaginando que haveriam poucos comentários esporádicos nos jornais sobre o dia anterior. Que inocência! Ao ligar a TV percebi que a GloboNews transmitia boa parte da dança de Barack Obama e sua esposa em um dos bailes de posse. “Acordar com a dança deles é demais.” Foi então que pensei em escrever isto.
Para concluir, é necessariamente a hipocrisia na qual se baseiam os valores estadunidenses e, conseqüentemente, sua eleição e sua política que me intrigam. Um país hipócrita, com uma eleição hipócrita, onde, por exemplo, uma pessoa não é boa o suficiente para ser vice-presidente por que sua filha é mãe solteira, um país que crê em objetivos fictícios e num herói criado e imposto pela necessidade e alimentado pelo eufemismo.
Mas a “febre” passa, como diz minha mãe, e tudo volta ao normal. Então me pergunto: Tudo isto para quê? Uma semana depois de Obama ser mais um presidente, cobrado, adorado, odiado... torna-se visível que tudo aquilo não serviu para nada, além de movimentar aquilo que há de mais nojento, a manipulação dos seres por meio de uma manipulação feita em si mesma pelos que “regem” a sociedade. Ou seja: Todos incentivam praticas e ações improdutivas e nem mesmo tem consciência de estarem fazendo, pois estão alienadas ao sistema que seria impossível fazê-lo, isto por que não querem ver.
Por melhor presidente que seja o atual líder deles, acho que em nenhum momento o mundo precisou de falsos heróis, religiões ou mitos. Foi a preguiça de pensar tipicamente humana que faz estas criações. Neste caso, nem criatividade autônoma os humanos ostentam.
As pessoas afirmam que o mundo precisa de um “salvador” (mundo = capitalismo). Sinceramente estou torcendo para que o capitalismo se afunde e desmorone em sua própria base de contradições e utopias tão grandes ou até maiores que as do pensamento Marxista. Eu sei que neste momento os poucos pobres diabos que resolveram dar algum crédito e ler o que escrevi estão cogitando seriamente a possibilidade de desistir do meu textinho (a maioria, provavelmente, já desistiu a esta altura). Devem estar pensando na audácia que tenho de questionar rituais típicos de uma sociedade ou cultura, falar mal dos EUA e dizer que torço para o fim do capitalismo. Devem pensar que entraram em um blog pseudo-intelectual, que sou um pseudo-marxista moderno que usa uma camisa do Che. Desculpem-me, mas erraram. Não tenho tais conceitos gratuitamente, (pena que alguns já estejam bem longe para lerem esta frase) Situo tal pensamento no fato das pessoas realmente estarem paradas em frente a suas televisões assistindo a besteiras que apenas atrasam suas vidas, ou acreditando que o mundo atual merece ser salvo, mas jamais pensaram que isto é uma mentira e não puderam ponderar se é realmente necessário salvar uma mentira, uma anulação do próprio “ser” em relação à existência do mesmo, que o mundo capitalista não sacia tudo que promete saciar, que as pessoas são felizes por que enganam suas mentes entupindo-as de mentiras e contraversões ignoradas, fugindo de determinados pensamentos por medo de não saberem responder.
Sim, é uma cadeia de acontecimentos simultâneos que se destacam de maneira deprimente quando um ser analisa o mundo e a maneira como ele se “desenvolve”.
Este é o mundo, ou outro pesadelo? Se for, será o segundo consecutivo.
J.C.

















1 comentários:
Sábias palavras, porém deve-se levar em consideração o fato de que a corrida dos ratos inúteis para os EUA é baseado na influência desse país no globo...
Postar um comentário