sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Eu estava em meu quarto até o momento que percebi estar com sede, então, logo ao sair dele, notei que outra pessoa que mora em minha residência assistia televisão. Curioso, voltei-me ao aparelho instalado na sala, quando ouvi algo que precedeu as
palavras e o raciocínio a seguir:
"Não! Não posso acreditar. Eu não acredito! Diga-me que não é verdade, diga-me! Esta possibilidade machuca, lateja bem lá no fundo da mente. É sério, não posso acreditar que existo em um mundo onde uma pessoa em cadeia nacional de televisão faz uma pergunta destas."
Parece ridículo, mas foram estas as palavras que pronunciei. O ser em questão perguntava a um grupo de seres que participam de uma amostra real de suas vidas transmitida por uma rede de televisão. A atração contraditoriamente chama-se "grande irmão" (contraditório porque irmãos não precisam vencer joguinhos para descobrir quem é mais simpático dentro de uma sociedade minimamente racional) qual participante é mais sem noção.
Primeiramente, “mais sem” é uma expressão de criança da pré-escola, jardim de infância, parquinho e etc. Assim mesmo é difícil de aceitar, aceitável devido ao baixo nível de consciência dos seres em tais situações, contudo jamais seria na circunstância relatada anteriormente (na TV). É simplesmente inaceitável em meu ponto de vista.
“Sem noção.” De quê? Do tempo? Do espaço? Do bem ou do mau? Do que é e do que não é?
Como são capazes de promover a futilidade, exaltarem a hipocrisia e difundir a ignorância e a regressão da humanidade em relação a ela própria? Não seria uma incoerência? Como tantas pessoas podem compactuar com aquilo que há de mais contraditório no ser: a negação de sua própria existência em prol de algo fictício e inútil dentro do contexto da mesma?
Por isto tudo que relatei não acredito que existo no mesmo planeta que tais seres. Talvez seja apenas um sonho, um pesadelo ou coisa parecida. Assim espero.
J.C.

















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