Aquele contraste

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008




A face branca

O cabelo escuro

A estrela brilhante
O Universo negro

A natureza mostra
Para os cegos

A beleza lá de fora
Ao nosso lado


J.C.

E o que mais, meu amor?

sábado, 27 de dezembro de 2008

“Depois de muita ponderação decidi publicar em meu Pilar algo que encontrei dentro de um baú esquecido na casa recém comprada por um amigo. O baú era, provavelmente, do antigo dono, cujo qual se mudou para a Europa há cerca de seis anos. Desde então a casa e o baú estavam fechados. Nele, além de fotos e roupas, havia uma carta, e é justamente ela que publico aqui, preservando a identidade das pessoas envolvidas. Esta carta aparentemente jamais foi entregue, sinto, por isso, que devo publicá-la por merecimento daquele que verdadeiramente amou e evidenciou o paradoxo de fazê-lo. Esta carta é, ao mesmo tempo, um devaneio de amor e um paradoxo filosófico baseado nos motivos de perpetuar o mesmo. É o último suspiro de um amor latente”


E o quê mais, meu amor?

Sabes o quanto penso em nós, meu amor? Gostaria de saber o que pensas sobre nós, sobre mim. Na verdade gostaria de saber que mais queres de mim, meu amor. Que mais queres daquele que a ama racionalmente, ou o mais próximo possível disso? Queres alguém melhor? Melhor que o homem que não quer simplesmente usufruir de tua beleza, que não busca voluptuosidade ao mirá-la, mas sim amá-la devido ao potencial intelectual descoberto por ele em ti e que, por tê-lo, parecia ser a pessoa perfeita para compor a vida dele? Que homem será este que procuras? Uma utopia ainda maior? Pois, para muitas outras, este já seria uma utopia, quiçá algo ainda melhor. Um homem másculo, de braços fortes e barriga moldada a ferro? Talvez, mas se realmente for, teria eu me enganado tanto ao ponto de confundir potencial intelectual com qualquer outra coisa mais próxima do fútil do que dela? Claro que é uma possibilidade, mas estaria eu cego quando olhei em teus olhos e afirmei amar-lhe como jamais havia amado? Eu, que não saberia amar de maneira diferente, se não de tal maneira racional, desenvolvida após horas de dedicação plena ao assunto, buscando fazer algo produtivo de minha vida na companhia igualmente produtiva de alguém merecedor, e por tudo isto só poderia amar de tal modo

É triste admitir, mas vivemos em um mundo onde as pessoas vivem umas pelas outras, sem que elas tenham o que oferecer para justificar tanta idolatria individualista. Idolatria que é feita mesmo que inconscientemente em busca da reciprocidade, em uma perspectiva que trata relacionamentos como forma de passar o tempo e saciar suas vontades, que são relativas à passagem do tempo, mas sempre necessidades, ao contrário de se estabelecer um objetivo e seguir a linha tracejada, tendo no outro ao seu lado uma fonte de inspiração, ajuda e cumplicidade, constituindo o amar pela razão. Estes mesmos seres dizem que esta razão não é alcançável, isto por que tem preguiça de procurá-la.

Creio que fui tolo em amar-te e sonhar com reciprocidade equivalente, pois seria impossível. Acho que lhe impus uma tarefa que nenhum humano que busca sentimentos fictícios poderia cumprir. É uma pena, mas significa que é isto que tu procuras, infelizmente.

Sinceramente, jamais quero vê-la novamente... Estou morrendo de saudades.

O que mais queres de mim, meu amor? Queres que eu fique duas horas parado em frente à loja em que trabalhas, esperando-te sair, para presenteá-la com flores e um beijo apaixonado e não encontrá-la, depois descobrir que tu não trabalhas mais lá? Queres ainda mais de mim? Sei que apenas isto é pouco, mas nem tanto quando somado a tudo que lhe dei.

Eu sei, queres distância, queres que eu deixe de amá-la e entenda que tu não me amas e nunca me amou e queres que eu respeite isto. Eu sei e seguirei tua vontade, mas quero que saibas que não lhe pedi nada fora do teu alcance, apenas fora da tua capacidade momentânea, pedi que aceitasses aquilo que eu pensava que todos quisessem, pedi que aceitasses o amor mais sublime.

Sonhei por noite e noites com tuas mãos sendo tocadas pelas minhas, com teus lábios sendo tocados pelos meus, com minha mente pensando em companhia da tua em busca de motivos para isto que nos faz e nos destrói, para isto que nos afaga e nos arrebenta, para aquilo que sentimos e vivemos. Sonhei com companhia, com cumplicidade, com amizade e companheirismo, sonhei com crescimento mútuo. Mas meu sonho foi morto, sacrificado em nome da preguiça e do nada travestido de relevante.

Todo um autocontrole desenvolvido em nome de um crescimento intelectual foi-se por água abaixo devido à minha dedicação irracional em nome do racional. Hoje percebo a contradição e o paradoxo a que isto remete, mas percebo também que evoluí ao compreender todo o desenrolar deste paradoxo. Também percebi que minha tese anterior, sobre o amor não existir, se fundamenta com esta situação, mesmo sabendo que podemos criá-lo, desde que tenhamos motivos para isto, mas ele, por si só, nunca existiu.

Já pensaste em quê me serves1, meu amor? Eu digo: serviste apenas para tirar-me de meu estado normal, de minha ausência de sentimentos. Não apenas isso, claro, apesar disto já ser muito, transformaste também meu sentimento em um paradoxo. Na verdade, me impuseste outro, e o aceitei, pois minha vida é composta e se distingue das demais justamente por eles e por causa deles. Serviste-me como base para compreender-me melhor, para eu saber e conhecer os meus limites, melhor.

Eu te agradeço, meu amor. Agradeço por existires, por um dia teres dado o sorriso pelo qual me apaixonei e até por não teres me amado, pois isto me trará uma compreensão ainda maior de mim e do todo que me rodeia, tendo ainda a chance de crescer ainda mais.

Quero que o contraste encontrado entre o amor e aquilo que se supõem ser o mesmo um dia se demonstre a ti, pois não a amei gratuitamente e quero que sejas muito feliz, quero que compreendas tudo isto. Capaz com certeza tu serás, se quiseres.

Estou condenado junto de meu amor. Eu por ter tido a audácia de fazer diferente, de sair da linha normal de pensamento e ter desenvolvido algo realmente puro, intenso e inteligente, saindo da linha de raciocínio condescendente com a tradição que mata os anseios humanos. E meu amor, por sua vez, está condenado porque é um erro. Ele errou ao ser perfeito demais.

Percebo que sou um idiota. Uma lágrima se manifesta, mas eu a contenho. Não posso render-me a isto, pois a culpa é toda minha. Eu sei que tu não tens culpa de não me amar, mas tem culpa de eu não mais amá-la.

Para finalizar, retifico a abordagem da minha pergunta:

E o quê mais, ex-amor?


PS: Eu te amo.



“Percebe-se que além de fotos, roupas e uma carta, este baú guardava sonhos, que morreram, é verdade, mas que um dia existiram e mereciam ter se tornado realidade. O amor tornou-se uma grade ilusão, pois mesmo quando real, ele se desintegra pela limitação daqueles que o querem, que o desejam, que o matam.”

J.C.

O bilhar das estrelas

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

A sensação de se deitar sob o céu estrelado de uma noite sem nuvens é indescritível, pois temos a legitima noção da grandiosidade do Universo em relação a nós com os nossos sentidos, no caso a visão, e não com o pensamento ou em leituras técnicas, ou ainda em documentários. Sinto-me jogado para dentro daquela imagem inebriante de luz e escuridão se misturando num contraste inexplicável. Até mesmo eu, um astrônomo amador que olha para o céu todos os dias, surpreendo-me todas as vezes que direciono meus globos oculares para fora da Terra e observo aquilo no qual estamos introduzidos e impregnados. O brilhar das estrelas serve de alento para aqueles que buscam as respostas para a vida, pois as possibilidades nelas são tantas, que nada pode ser completamente descartado. Nada.”

J.C.

Quente, muito quente...

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Quente, muito quente

Só nisso sei pensar

Sem poder parar:

Aquilo que está em minha mente


Num mundo de calor frio

De humanos separadamente juntos

Ascendo o pavio

Das questões sobre mundos


Destaco meus pensamentos nulos

Daqueles que não os vê

Que só assistem TV

E daqueles que só pensam em charutos


Pois sei que são importantes

Mais importantes que tudo

Muito mais do antes

É absoluto


Mas, está quente

Muito quente

Com tanta coisa na mente

Não esqueço aquilo que é proeminente:

PENSAR

J.C.

"A opinião dos demais em relação a mim não é pior que a minha opinião em relação aos demais."

.Contato:

.pilardojefferson@gmail.com
 
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