A soberba humana

quarta-feira, 16 de julho de 2008


“Até onde vai a soberba dos humanos?”

Esta pergunta incomoda os humanos de quase todos os pontos de vista, desde os que concordam com a existência desta soberba deliberada, até aqueles que se consideram superiores apenas por serem seres humanos e negam a existência da mesma. O problema todo está baseado nos porquês, nas justificativas para tudo e nas intenções, onde todas as respostas são hipócritas, individualistas e, conseqüentemente, unilaterais, tramando uma cadeia de respostas e justificativas incabíveis e injustificáveis. É uma tendência humana brigar por aquilo que se acredita ser o correto, mesmo que não se tenha certeza do que é dito, demonstrando, ao menos, que tem uma opinião formada, seja ela qual for, ao invés de ser considerado um ser sem personalidade. Ou seja, os humanos falam por falar. Falam apenas para divulgar a imagem que pretendem que seja a sua para os demais. Analisando, percebe-se que até nisto os humanos são extremamente dependem de sua imagem, o que demonstra o quão ilusório é o mundo destes seres, onde qualquer opinião, mesmo que incorreta, torna-se melhor do que não ter nenhuma.

O descaso com a vida alheia é uma característica típica da soberba humana, como no ato de “ter” um cão ou um gato em sua casa com o objetivo de utilizá-lo para saciar sua vontade de ser um manipulador, o chefe, o rei, o adorado, aquele que disponibiliza a vida e etc., isto é uma demonstração da soberba e da prepotência humana. Esta pratica é muito difundida e divulgada, pois, já virou uma espécie de tradição e, acima de tudo, um negócio lucrativo, já que a maior parte da população da maioria dos países admite gostar de “animais de estimação”. Mas, estimar significa aprisionar, usufruir, manipular, utilizar, ou significa apreciar, como no dicionário? Qual o direito que o ser humano tem de usufruir da existência de um ser para o adorno, como objeto de decoração, apenas pelo prazer de ter outro ser, apenas para saciar sua necessidade instintiva de poder, sentindo-se dono de algo ou alguém? Qual o direito humano de manipular a vida de um ser para adaptá-la e, supostamente, justificá-la através da sua? Racionalmente, ou o mais próximo possível disso, nenhuma, pois são seres provenientes de uma mesma vida primordial, com os mesmos direitos, nas mesmas condições existenciais. Mas...

Cientista, em sua essência, é o ser que disponibiliza sua existência para a compreensão daquilo que constitui e rodeia o mundo ao qual está inserido, sem prejudicá-lo, ou manipulá-lo. O fato de pseudo-cientistas retirarem um gene de uma água-viva e o introduzirem em um peixe das águas do Japão com o intuito de deixá-lo fosforescente e assim levá-lo ao varejo como “peixe ornamental” ultrapassa todos os níveis de tolerância desta soberba. Peixes criados em cubos de vidro para fins terapêuticos, demonstra a visão humana de que os animais existem para servir aos inúteis e preguiçosos humanos, como no ato de “domesticar” cavalos para o carregamento de cargas pesadas, ou no zelo de determinado patrimônio humano, ou em qualquer outra atividade necessária para a continuidade da vida e do sistema dos humanos, mas que os próprios humanos são incapazes de fazer. Ademais, contradições não faltam, pois, existem pesquisas que utilizam os animais para testes, tendo como conseqüência o prolongamento da vida humana e o fim súbito da cobaia. Mas, o pior está além da simples legislação escravista entre humanos e animais, isto é, as antropofagias fomentadas sem a menor culpa por aqueles que se dizem superiores, mas necessitam vitalmente daqueles que julgam inferiores. Este fato possibilita o uso de termos como: “gado de corte”, “frango de abate”, ou ainda, “animais de consumo”... Isto agride os ideais humanos de “raça superior”, colocando-os no mesmo nível ou até mesmo abaixo daqueles que eles assoberbavam, automaticamente contradizendo seus próprios auto-elogios, constituindo sua soberba infundada.

O que dizer de frases como: “Melhor eles do que nós.”? Com essa arrogância que agem, por exemplo, as empresas administradoras de aeroportos, que treinam aves de rapina para abater outras aves que vivem perto dos seus “domínios”, exalando aos quatro ventos outra situação que demonstra e equipara a importância da vida humana em relação à vida de um não humano para os próprios humanos.

“Como alguém pode vender uma vida?”

Essa pergunta não deveria ser cogitada, tampouco feita. Não por ignorância ou submissão, mas sim por que a atividade também não deveria ser cogitada, apenas por consciência do ato e de suas conseqüências, para então, agir da forma que gostaria que agissem caso fosse com sigo o aprisionamento e o comércio, enterrando sua hipocrisia de uma vez por todas.

Os humanos vivem baseados na tese de que os animais e o planeta, como um todo, estão a sua disposição, como se eles, os poderosos seres humanos tivessem sido criados por uma divindade para difundir sua espécie, tendo como base a destruição de outras, como se fosse a espécie suprema, escolhida pelo seu criador para reger suas próprias atitudes e decisões através de seu suposto livre-arbítrio e racionalidade contraditória, ou apenas por existirem, independentemente de serem escolhidos ou não por um ser superior. Neste caso o que vale é a “malandragem”, onde o mais propenso às vitórias, devido a seu nível intelectual, sempre vencerá.

Esta atividade individualista e, claro, soberba, vêm se perpetuando em sua própria sociedade através da história, tendo como diferença fundamental o padrão social, invés da espécie, ou como já fora em outros tempos quanto à força bruta. A sociedade humana necessita classificar os seres que a compõem ou a integram para que se possa tirar vantagem destes devido aos rótulos.

Os humanos lotearam o planeta apenas para eles, esquecendo dos animais, ou melhor, supondo que eles se adaptariam aquilo que ELES propusessem. Delimitaram áreas ínfimas para a livre existência de animais, áreas onde eles podem conviver com os humanos de forma condicionada e outras onde eles não são bem vindos, pelo contrário, sua existência nestes locais é proibida de forma arbitrária. Os humanos arrendaram apenas com o consentimento de ter uma massa cerebral proporcionalmente maior, algo que é de todos, transformando o planeta numa colcha de retalhos, onde não se pode trocar de lugar, tendo, obrigatoriamente, que permanecer onde se está, pois aquilo não é seu, e sim de outro, estando comprovado, e essa é a melhor parte, em um papel carimbado. Não faz nenhum sentido se for analisado racionalmente.

A espécie humana desenvolveu sua arrogância através dos tempos, de maneira circunstancial, devido às formas de legislação social escolhidas para reger os grupos, além do seu instinto, tão animal quanto aqueles que escravizam. Exemplos disso estão por todos os lados, impreguinados em sua cultura e em seus atos, tendo como principal ponto de demonstração equivalente a escravidão de negros por, supostamente, serem uma raça inferior, tratando-os como tratam cães, bovinos e etc., só mudando seus conceitos após muita luta daqueles que perceberam a barbárie cometida e por causa próprios negros que se revoltaram inúmeras vezes. Mas, até então, os brancos o faziam com um suposto consentimento divino, contradizendo todos os modelos de tratamento entre “irmãos” propagados pela sociedade, pois, ela não via os negros como seres humanos, mas sim, como animais muito parecidos com os humanos, como os gorilas, por exemplo. Ai encontra-se o problema. Há o consenso de que os animais são seres inferiores aos humanos, algo ruim e menos importante. O problema está no conceito, a soberba é apenas uma conseqüência desta.

Circos e etc. usam os animais para adquirir benefícios financeiros a si próprios. Até mesmo os zoológicos e centros de reabilitação só existem por que os humanos invadiram espaços ou, supondo uma convivência amigável de ambas as partes, ultrapassou os limites do bom senso e da prepotência ao querer o controle pleno dos territórios.

A hipocrisia humana prevalece, pois, mesmo os que concordam com isto continuarão a comer carne em suas refeições, alimentando sua vida com morte. É provável que até mesmo os religiosos continuem a fazê-lo, pois, talvez seus deuses, tenham feito os animais para morrerem e serem extintos apenas para a manutenção de outra espécie mais importante durante alguns séculos mais, já que a tendência natural é a extinção de todas as fontes de sobrevivência terrenas, ademais, pode ser que os humanos nunca povoem outro planeta, o que dificultaria a propagação da espécie em outros mundos.

Pobres humanos, hipócritas e ignorantes, roubam a vida de seus animaizinhos e supõem que fazem bem a eles. Talvez, na maioria das vezes haja boa intenção, mas, mesmo assim, está sendo fomentada a soberba humana e a prostituição animal, que ocorre por um pote de ração própria para eles, ou por restos da ração própria para os humanos. Uma suposta inconsciência animal perante a uma suposta consciência humana são muito comentadas no meio soberbo, e não há de negar que os humanos são o que existe de mais avançado em seu âmbito, enquanto isso, golfinhos também são o que há de mais avançado, mas no seu próprio âmbito. Golfinhos não caçam humanos, nem ao menos interferem na sua existência, talvez por que não conseguem, por limitação, ou talvez porque seu sistema social não requer tais atitudes. É comprovada a grande capacidade mental dos golfinhos, pode até ser que sejam mais inteligentes do que os próprios humanos, como diria Isaac Asimov, em uma de suas obras. Provavelmente, pois os golfinhos não parecem tão egoístas quanto os humanos e, caso sejam, também é provável que não neguem sua participação na cadeia alimentar primitiva, ou também serão hipócritas soberbos.

Os animais não precisam de defesa, precisam de liberdade.

*Dedicado aos animais que compartilharam suas curtas existências comigo.

J.C.

1 comentários:

cine_Lessa disse...

1° consideração: Mesmo eu não sendo "fã" dos animais, eu não aceito injustiça. E consquentemente a "exploração" animal. Tratam os animais de qualquer jeito. E querem aprisioná-los em gaiolas para exposição. A domesticação já começou no tempo do Paleolitico (s enão em engano) e se estende até o século XXI e se estenderá pelo resto d ahumanidade. Nos primórdios a domesticação de animais foi importante para a perpetuação da espécie, mas não precisava tirar a liberdade dos bichos. Bicho foi feito para viver no seu habitat, assim como os seres humanos.

2° consideração: Nao sei realmente o que se passa na cabeça de certos seres humanos. Se julgam superiores por serem brancos.Ou por serem de classe social mais favorecida. O ser humano é um animal extremamente egoista. Ele v~e apenas o que lhe beneficia e se aproveita da situação. O ser humano é extremamente vingativo.O ser humano é extremamente invejoso (já comprovei com experiencia pessoal). Mas o ser humano é tão afavel quando quiser. O mundo poderia ser mais justo e melhor de se viver se certas mentes humanas aprendessm a lidar com a diferença. Tenha uma fraqueza e a humanidade se transforma,assim como percebi isto quanso assisti a "Ensaio sobre a cegueira" quando estavam todos cegos, não havia distinção. Talvez seja a visão ou o instinto nos traz as diferenças e o ser humanos ridiculo fechado em sua mentalidade traz as regras e faz a sociedade se dividir e rebaixar outros seres humanos como fizeram aos negros, ou outros seres, como fazem com os animais. Ou chegam ao limite da auto destruiçao, como fazem com o Planeta.

"A opinião dos demais em relação a mim não é pior que a minha opinião em relação aos demais."

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