Desisto

quarta-feira, 11 de junho de 2008


Desisto de tentar abrir os olhos dos ignorantes, de tentar mostrar-lhes que se pode ver o todo de outras formas, formas que não são as que aprendemos em casa.

Desisto de cogitar teorias aos quatro ventos, apenas para ser criticado com desdém, por seres que jamais cogitaram algo que não fosse aquilo que aprenderam e conceberam em seus anos de submissão, primeiramente involuntária, depois voluntária, e esta, por preguiça e medo.

Coloquei-me no papel de propagador de um objetivo supremo, a compreensão mútua de nós mesmos, mas, como imaginei e depois ignorei, o óbvio acontece sempre. Em nenhum momento pensei que fosse fácil, nem vi facilidades em perceber o todo diferentemente, mas acreditava no valor dos humanos, em uma suposta capacidade de compreensão e, se necessário, de mudança.

Devemos reverência à defesa humana, este mesmo grupo que se prostitui todos os dias para assim permanecer, por suas avançadas técnicas de fuga, de auto-engano, de ilusão sublime. Técnica que se pode assistir a todo o momento, ou até mesmo praticar, se tiver a preguiça necessária.

Como foi dito antes, é necessária reverência àqueles que se escondem, inclusive atrás de álcool ou drogas, pois estes sim, não sentem culpa de nada, pois não percebem o mundo, propositalmente, apenas para fugir da realidade. Não menos hipócritas são as frentes quimero-religiosas, que se apegam a doutrinas arcaicas de legislação social para depositarem seu tempo e seu dinheiro, fruto da submissão, e da perda do tempo, ou seja, tempo.

Desisto dos pseudo-intelectuais, desisto dos pseudo-filosofos, daqueles que lêem um livro de Carl Marx e se auto-intitulam revolucionários, comunistas e socialistas modernos, que vestem uma roupa com a face de Che Guevara e se colocam a ouvir Raul Seixas. Este mesmo ser usa um tenis all-star, símbolo do imperialismo norte-americano, mas também símbolo de uma suposta liberdade, envoltos nesta ambigüidade, acabam contradizendo-se logo ao sair de casa.

Desisto de tentar mostrar uma realidade mais coerente aos pobres humanos, não irei render-me a teoria sarcástica de meu pai, que diz que quero salvar o mundo. Não tem nenhum sentido eu querer lutar por algo que eu não compreendo, não tenho como salvar algo que não detenho conhecimento suficiente nem para sua mísera compreensão.

Mas não desistirei das respostas nem da compreensão. E da compreensão partirei em busca das respostas, argumentando apenas com quem compreende ao menos a ideologia e a intenção, não mais perderei tempo com aqueles que padecem em seus mundinhos compostos de mentiras e ilusões. Faço um favor a estes ao fazê-lo, pois assim, deixo de arranhar a ferida, dia após dia, para arrancá-la a unha, de uma só vez quando o momento chegar. O inoportuno sai de cena, pelo menos das letras maiúsculas, voltando-se às entrelinhas, indagando e questionando como nunca, visando a compreensão daquilo que, estes que comentei aqui, renegam a todo o momento, virando a cara e fechando os olhos, desperdiçando-se e envergonhando aqueles que, como eu, observam os atos humanos.

Desisto de explicar todos os dias por que os relacionamentos afetivos são, em quase todos os casos, uma farsa. Cansa tentar mostrar às mulheres que relacionamentos podem ser mais que lambidas mútuas, sem falar dos homens, que pensam nas lambidas como caminho para introduzirem seus pênis nas mulheres, que, sejamos francos, procuram ser penetradas, chamando o desejo masculino vestindo-se de tais formas que, se estivessem nuas chamariam menos atenção, mesmo que neguem que o façam. Também desisto de entender qual o critério de seleção das mulheres, não posso ser pior que um ser vestido com trajes de basquete em plena rua. Seria como se os jogadores de futebol, andassem de chuteiras o tempo todo, é incompatível. Os homens pensam com a ponta dos seus pênis e as mulheres com o núcleo de suas nádegas, ao eives dos cérebros, colocando como símbolo de mulher e homem perfeitos, aqueles que, como eles, menos usam seus cérebros. Isso institui o relacionamento por instinto, a principal característica animal, que os seres humanos tanto renegam, por prepotência e falso moralismo, mas praticam desde que surgiram na face da terra, frutos da evolução.

Uma falta de auto-respeito age sem interrupções na cabeça humana, declinando aquela que se diz a raça superior na terra. Exemplos na história não faltam para confirmar que os humanos são demasiado pretensiosos, como na idade média, como no nazismo, na invasão européia sobre os territórios dos povos nativos das Américas, sem falar da matança animal para consumo próprio, desenvolvendo uma antropofagia encoberta pela mesma falsa moral, que resume a procedência humana, mas, não é compreensível o suficiente para que os mesmos possam perceber, está longe de seu alcance, longe de sua capacidade, longe de tudo que envolve a vida humana. “Mas, mudando de assunto, viste que o Barça ganhou ontem?” Até quando o futebol será o ópio do povo, como diz um amigo meu? Até quando os humanos vão se enganar tão facilmente?

Casar, o sonho mágico da maioria das pessoas. Primeiro se lambem até enjoar, depois transam, ou dizem que o fazem, com metade da população, para enfim, casar. A partir dos 12 anos, a vida é relacionar-se, tudo ocorre em torno disso, uma clara falta de objetividade, isso que é ser normal, ser inútil, para si e para universo. Tentar justificar os atos humanos, pela contribuição ao sistema social, à economia, ao país é ser limitado. Os humanos caem na sua própria mentira, que é mais do que deslavada, mas invisível aos humanos normais, que cumprem seus supostos deverem cívicos e religiosos, não necessariamente nessa ordem. Não esqueço dos não religiosos crentes, são apenas mais uma parcela daqueles que não tem coragem suficiente para renegar tudo que é mito, nem paciência suficiente para seguir aquilo que crê.

Desisto de argumentar com os hipócritas que não aceitam uma palavra fora do contexto de normalidade de pensamento, não admitindo que se concretize a razão, retorquindo que a loucura está a me cegar. Consequentemente desisto de informá-los que loucos, são aqueles que agem sem pensar, apenas por inertes que são, não aqueles que percebem uma realidade diferente, mesmo que ela seja desfavorável, mas na comparação com a realidade humana, torna-se tão desfavorável quanto. Entretanto, a realidade racional contém sinceridade, aquilo que mais falta aos humanos.

Também desisto de pedir aos medrosos, que falem tudo o que pensam quando e onde eu possa ouvir, deixei-os, não preciso me defender de vocês, não vale o tempo gasto, já que posso gravar uma conversa e repeti-la milhões de vezes, caso seja necessário, pois, os argumentos de ataque são sempre os mesmos, e minhas respostas acabam sendo sempre as mesmas, já que não há criatividade nas perguntas. Supõe-se que sou burro por ver defeitos naquilo que vocês exaltam. Que seja, não sou eu que estou perdendo meu tempo, pelo contrário, estou tentando justifica-lo.

Também estou farto de dizer que desisto. Desisto de tudo que não me traga a verdade, apenas não desisto da busca da mesma. Jamais desistirei de mostrar a verdade, apenas desisto de discutir com os que não querem saber-la.


J.C.

1 comentários:

cine_Lessa disse...

Simples assim:
faço minhas as tuas palavras.

"A opinião dos demais em relação a mim não é pior que a minha opinião em relação aos demais."

.Contato:

.pilardojefferson@gmail.com
 
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