Submissão voluntária

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ao viver, percebo as banalidades disso, percebo a insatisfação unânime, nem sempre, ou quase nunca as insatisfações tem o mesmo âmbito, mas são insatisfações. O ser humano não é feliz, por mais que tente expor isto a todo custo, até mesmo incluindo essa suposta felicidade entre as características de determinado povo ou local, a felicidade exalada pelas pessoas é uma espécie de autodefesa, desenvolvida para repelir tudo que esteja relacionado à insatisfação. Povos como os brasileiros em essência, os africanos e demais, sofrem com sua insatisfação, porém a repelem com sorrisos, onde a vergonha da impotência é esmagada pela pedra da hipocrisia. Outros povos também têm suas técnicas, mas o sorriso é quase uma regra do manual de sobrevivência na sociedade. Toda insatisfação provém de algo em comum: a existência. A insatisfação de não ter, de não poder querer, de não saber querer e até mesmo de não ter por que querer leva à existência, onde, ao contrário da insatisfação cotidiana, não só é disfarçada, mas também é ignorada. Toda a banalidade, insatisfação, falsidade, hipocrisia e dúvidas não colidiriam numa inexistência. Todo objetivo traçado, tempo utilizado, quilômetro percorrido, lábio beijado, tênis comprado, foi desperdício. O ser humano não se preparou para isto quando aceitou as regras de um jogo injusto onde não se pode ganhar, ele não aceita ser desnecessário, pensa ser único, escolhido por um ou vários deuses para desempenhar uma missão, onde só ele e mais ninguém seria capaz, colocando-se dentro de uma situação onde, até certo ponto, admite ser submisso a algo ou alguém, mas não aceita sua própria aceitação. Não tendo bases para desenvolver uma filosofia de vida atraente e produtiva ao mesmo tempo, o ser humano faz o mais simples, sem falar do óbvio: vive comprometido, vive cobrado, vive com medo, vive submisso, vive por viver. A insatisfação está relacionada a tudo, e tudo indubitavelmente está relacionado à existência, isto está explicito na sociedade. Deuses para todos os lados, os defino como culpados de uma existência inexplicável. Repelindo algumas coisas, o ser humano se viu em alguns maus bocados, tendo assim que simplificar as coisas, assim nasceu a submissão universal: a religião. Os humanos escolhem, na maioria das vezes sem ter consciência das alternativas e muito menos de suas conseqüências. Os seres humanos submetem-se voluntariamente, mesmo que de forma impositória, não enxergam outras alternativas, sendo isto óbvio, já que não sabem de sua existência, vivem sem saber se há uma causa, mesmo sorrindo não há felicidade, iguinorando a impotência o ser humano sente o cerco social se fechando ao seu redor, submergindo-se inevitavelmente numa realidade hospitaleira, cômoda e própria àquilo de mais primitivo como sexo e ganância. Aceitação corriqueira, apenas para fugir dos fatos, demonstrando incoerência após fazê-lo, achando-se no direito de rotular algo ou alguém, tendo como grande arma forças desconfiáveis e outras covardes.
Seres humanos, submissão voluntária.


J.C.

Louco – Que perdeu a razão; doido; alienado; insensato;

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Enquanto as pessoas adquirem carros, casas, e até mesmo outras pessoas (sem contar os “animais de estimação”) com suas somas monetárias, a dúvida paira sobre meu cérebro. Serei eu louco?

Partindo do princípio de que a loucura é um estado mental causado por fatores diversos, poderia ter algo de errado com minha racionalidade e, ou, seria possível que eu estivesse vivenciando um momento de insanidade, onde não teria acesso a real visão dos fatos, não tendo então capacidade de detectar tal situação, já que estou submerso em uma realidade diferente e de onde talvez eu não queira sair? Talvez. Porém, nada disto faz-me sentido; minha razão está mais aguçada do que nunca, sem falar de minha imparcialidade, que é extremamente desenvolvida. Mesmo assim, seria eu, louco? Estaria eu atingindo tal estado de demência, a ponto de não conseguir ver o óbvio? Como eu, em um estado mental, perceptivelmente racional, não veria todos os benefícios de levar uma vida de mentira? Seria eu um indigno? Todos me dizem que devo levar uma vida enganosa, fútil e sem sentido, deve ser ótimo fugir da realidade. Estaria eu colocando-me como um ser superior, que pensa ter poderes especiais e por isso pode dar-se ao luxo de não suportar viver do modo como se vive? É, mas serei eu idiota o suficiente para não querer ter um objeto e, através dele, mostrar toda minha superioridade perante os demais, já que esta é a única maneira humanamente possível de fazê-lo? Talvez eu seja completamente incapaz de reconhecer o valor de uma vagina e, muito menos capaz de compara-lo com o valor de um carro. Devo ser um cara muito estranho, sinceramente eu não sei por que as pessoas ainda falam comigo.

J.C.

"A opinião dos demais em relação a mim não é pior que a minha opinião em relação aos demais."

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